Sobre a paixão...

Se apaixonar é fácil,
difício é ser correspondido,
é por isso que há essa multidão
de corações feridos...

Quando eu morrer...

Quando eu morrer
que seja de repente,
que eu tenha vivido tudo
e não tenha nenhum sonho carente...

Não quero mais amores de sábado

Busco nesses turvos caminhos
que a vida me oferece
encontrar alguém por quem
meu coração bata mais forte,

alguém que eu olhe
e me sinta seguro
pra dividir os meus sonhos
e meus segredos mais íntimos,

alguém que eu possa proteger,
dar carinho e atenção,
e caminhar lado à lado
nas noites tempestuosas...

Busco a minha flor
que nasce no monte mais alto,
busco o meu imenso céu,
onde plantarei constelações de poetas...

Busco, apesar de tudo
me mostrar que é impossível
existir o amor puro,
e desinteressado...

Não quero mais amores de sábado,
quero amar todo dia,
não quero o rastro de cometas,
eu quero a estrela d’alva...

Desilusão

Idealizo tanto
que dói-me o peito
ao ver que tudo
é tão triste e vazio...

... e depois me ausento,
mais e mais ainda,
me ausento até dos sonhos,
me ausento de mim...

Amizades, família,
tarefas, trabalhos,
tudo fica suspenso,
qual um sonho vazio...

Se me ferir,
já nem choro,
já nem sinto,
pois estou tão ausente...

Vou ligar a Tv,
talvez eu melhore...

Tercetos à Aline

Brilhou na distância
e me enfeitiçou
a negritude de seu olhar...

... lembranças da infância
seus olhos me recordou,
ah! como era fácil sonhar...

Mariana II

Seu olhar,
uma questão abstrata e oculta
que tentei decifrar...

Seu nome,
vibrações celulares
que distorcem o ar,
me penetram os ouvidos
e me estraçalha o coração...

Seu perfume, seu toque,
seu calor, seu sabor,
um doce café da manhã
ao brilhar da estrala d’alva...

Seus seios,
hoje tão longe de mim,
como dois altos picos gêmeos
em terras distantes...

Valéria, minha vampira impura

Vem minha vampira impura,
minha triste sombra vazia...
Vem e deixa-me depositar
estrelas no teu negro céu...

Vem minha vampira impura,
meu triste anjo torto...
Vem e deixa eu me embriagar
em teus venéficos lábios...

Vem Valéria, vem vampira impura,
deixa-me acalentar este
negro pássaro espalmado
que voa em teu quase alvo céu...

Vem, que juntos nos livraremos
desse algoz spleen que nos aflige...

Alma do Outro Mundo

Escondido meio à sombra,
estático como um corpo frio,
vagando na sombra oculto,
silenciosamente e só...

Ser inanimado, vazio,
que chora ao ver em sonhos
o esboço de uma vida,
de toda uma vida que poderia ter sido...

Ser alheio aos fatos mais cotidianos,
como sorrir com os amigos,
ser alheio à própria vida,
ausente, vazio, vago, nulo...

E este ser tão alheio,
essa Alma de Outro Mundo,
sou Eu meu Deus! ... meu Deus...
Eu queria ser como os demais! ...

Ausência VI

Pra evitar quebrar as regras
me ausentei do mundo
e de tudo que eu poderia ter vivido...

Hoje, nem sou um livre verso,
nem soneto algum,
sou apenas palavras vazias
jogadas em desordem
em um papel de pão
rasgado e amassado...

Ausência V

Dos meus sonhos mais íntimos
nada mais resta além
do fogo de constelações
extintas à milênios...

Hoje em dia meus amores
e meus pensamentos
passam como estrelas cadentes
deixando um brilho que logo se esvai...

Ausência IV

Caminho solitário.
era por aqui que passávamos,
bem ali naquele banco
juntos sentávamos...

Hoje, meus dedos
são enlaçados
por essa névoa fria de tua ausência...
Estou tão machucado...

Estou só, como um navio
perdido numa tempestade
no meio do oceano...
Esta me matando essa insanidade...

Não aceito a idéia
de você ter morrido em meu destino...
Sem a tua presença,
me sinto um solitário menino...

Mais uma História não dita (Poesia Social)

Na fria e vil madrugada,
pequenos inocentes
‘stão envoltos em notícias,
e deitados na calçada...

Seres que nem sonham mais,
tantas vidas perdidas,
pequenos inocentes,
vivem qual animais...

E o culpado não é o governo,
e sim você, pois não exige
uma solução e deixa que
elas padeçam no inverno...

Eterna Lembrança (Acróstico)

Me guardou no ventre
A tua carne, sangue e vida
Entregaste à mim...

Mãe tu és quem na noite
Atenta me acalentava
Enquanto eu espirrava...

Mostrando carinho
Aleitou-me com teu
Elixir da vida

Mãe, por toda a tua
Atenção, como ontem, hoje
E , assim, eternamente:

Ao pensar em amor
ou lembrar que um dia fui amado,
lembrarei de ti...

Mariana

A ternura de teu toque,
hoje é uma ausência,
um toque frio do orvalho
durante a madrugada vazia...

Teus abraços tão doces,
de perfumes de açucena,
eram aconchegantes qual
o ninho do beija-flor...

Tua voz, a ternura
com que ela me dizia
palavras cheias de volúpias
e desejos, parecia uma canção angelical...

Teu olhar, agora tão distante,
tão estranho à mim,
tão contrário e vazio,
tão indiferente ao que vivemos...

Teu perfume, ainda o mesmo,
um perfume doce embriagante,
um perfume que é vinho
um perfume que é a minha perdição...

Deixa – me

Quero tanto olhar em teus olhos,
quero olha-los com toda inocência,
com toda liberdade de livres versos,
e com todo o carinho e ternura
de um pequeno beija-flor...

Quero tanto olhar em teus olhos
e me ver neles refletido,
quero tanto estar contigo,
e ser mais que um bom amigo...

Tercetos tristes

O nosso amor foi como
uma promessa de chuva
no árido e morto sertão...

Compramos sementes pra plantar,
sonhamos tantos sonhos,
mas no final foi tudo em vão

a historia se repetiu
e as nuvens se dissiparam
muito antes de chegar ao sertão...

O vinho do solitário

À pouco raios cortavam os céus
e iluminavam minhas
lágrimas no espelho,
agora há no ar um cheiro
de terra molhada,
e uma brisa fria...

Agora, em muitos quartos,
muitos casais se aquecem
e se beijam apaixonados,
enquanto eu aqui, estou
agarrado à uma garrafa de vinho,
inventando amigos, mulheres e histórias
que jamais existirão, infelizmente...

Enquanto a chuva cai

Enquanto a chuva cai
e o cheiro de terra molhada
traz a sensação de paz,
aqui, trancado em meu quarto,
triste eu fico a pensar
em tudo que não viveremos...

Gotas caem. A chuva aumenta,
minhas lágrimas também,
e os trovões emudecem
os meus soluços de saudade...

Desejo tanto olhar em teus olhos,
segurar em tua mão e beijar-te,
eu sei que é impossível,
mas gostaria que você soubesse...

Enquanto a chuva cai
e o cheiro de terra molhada
traz a sensação de paz,
aqui, trancado em meu quarto,
triste eu fico a pensar
em tudo que não viveremos...

Ainda era noite

Acordei, ainda era noite,
mas não estava frio
e pra minha surpresa
não havia nada de sombrio...

Acordei, ainda era noite,
apenas faíscas no horizonte,
e uma brisa leve
acariciava minha fronte...

Acordei, ainda era noite,
pela porta entre aberta
uns raiozinhos de luz
iluminavam-na descoberta...

Acordei, ainda era noite,
e se eu tivesse sabido
o que veria, pra ver mais
eu nem teria dormido...

Acordei, ainda era noite,
e vi o que durante o dia
ninguém nunca viu...
Ah! que alegria...

Acordei, ainda era noite,
ela ainda acordada,
olhava-me com um doce
olhar de apaixonada...

Quando você passa...

Meu peito dói, qual se lanças
o perfurassem por dentro,
toda vez que você passa,
parecendo nem me ver...

Te quero tanto ao meu lado,
sem tua luz, a escuridão
me aprisiona e me machuca,
qual algoz e vil madrasta...